Depois de dois carnavais na rua, o ALA saiu da avenida por um tempo. Isso não aconteceu porque faltou vontade de continuar, muito menos porque essa história terminou. A razão é mais simples e mais humana: a vida mudou de rota.
Para entender o que aconteceu, tem uma coisa importante sobre o ALA: ele sempre foi feito do começo ao fim por mim, Bruno! Prazer! :)
Da ideia vinham a pesquisa, a escolha dos materiais, os testes, a montagem, a pintura e o acabamento; depois ainda tinham fotografia, redes sociais, site, venda, embalagem e despacho. Não eram áreas independentes que poderiam continuar funcionando separadamente. Tudo fazia parte do mesmo processo artesanal que colocava cada peça na rua.
Às vezes o amor muda a nossa rota.
Em 2026, meu marido foi transferido para fora do Brasil, e eu me juntei a ele nesse novo momento. Trouxe comigo tudo o que sei fazer, inclusive o ALA. O que não veio junto foi a possibilidade física de continuar produzindo para o Carnaval do Brasil.
O ALA nasceu profundamente ligado ao Brasil. O Brasil é o coração do Carnaval que fez o ALA nascer, e foi nesse Carnaval que a marca encontrou uma ideia que ainda guia tudo: fantasiar não é fingir ser outra pessoa; é se permitir revelar mais de quem já estava ali.
É colocar alguma coisa na cabeça e descobrir uma maneira diferente de aparecer, ocupar espaço, exagerar, transcender o cotidiano e brilhar. Foi desse Carnaval que o ALA aprendeu o que queria ser.
Estar longe não apaga nada disso. Só quer dizer que, por enquanto, eu não consigo transformar essas ideias em peças e colocá-las na rua no Carnaval brasileiro.
Foram dois carnavais vendo muita gente colocar um ALA na cabeça e sair para a rua diferente de como entrou.
Hoje, muitas dessas peças estão guardadas nas casas de quem usou, esperando a próxima ocasião de voltar a brilhar na rua. É também por isso que este site continua no ar: ele deixa de funcionar como loja (por enquanto) e passa a guardar o Acervo do Estúdio ALA, com os designs, as imagens e a memória de tudo o que já colocamos no Carnaval.
O estandarte está recolhido, mas o ALA continua existindo exatamente onde sempre começou: na minha cabeça e na cabeça de todo mundo que usou. Eu continuo pensando nele, guardando ideias e reconhecendo como ALA tudo aquilo que nasce desse mesmo jeito de olhar para o Carnaval, para a fantasia e para o fazer com as mãos.
Eu ainda não sei quando começa o próximo desfile, e prefiro não inventar uma data só para preencher esse intervalo. O que eu sei é que ele vai acontecer.
Quando chegar a hora, o estandarte volta a subir e o ALA volta para a rua do jeito que nasceu para ser.
Até lá, esse é o nome que a gente dá para este momento: entre alas.
Bruno
Criador do Estúdio ALA